Andar pela vida sem a ver

"Não obstante, foram-lhe necessários vários dias para tomar consciência de que as mudanças não eram do mundo, mas sim dela própria, que andava sempre pela vida sem a ver, e só nesse ano, ao regressar da ilha, começara a vê-la com os olhos do escarmento."

Gabriel García Márquez, Vemo-nos em agosto

Quando li esta frase, pensei em quantos de nós vivemos como Ana Magdalena.

Olho à minha volta e sinto que a vida nos leva a andar por ela sem a ver. No automático do dia a dia, ou atrás dos outros como carneirinhos, outras vezes a fazer o que é suposto ou esperado, seja isso o que for (dará para outro texto).

As perguntas não me largavam. Quantos de nós optam por viver sem ver a vida? Por viver no conforto do conhecido, por mais desconfortável que esse conforto seja? Quantos temem arriscar fazer diferente?

Acredito que muitos. Mas sei que muitos outros escolhem a coragem de arriscar. Escolhem mudar, mesmo sem a garantia de saber para onde os leva o novo caminho.

Observo que essa coragem nasce muitas vezes da dor ou do desconforto da vida que se vive, que lentamente nos empurra para fora de onde estamos.

É nesse ponto que tudo muda, mas não por fora. Muda por dentro. E quando muda por dentro, os olhos veem o mundo com outras cores.

E tu, tens coragem de fazer diferente?

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